Sunday, January 25, 2009

Visão

Janeiro.
Sentindo a brisa de uma noite quente de verão, olho para um outro tu, parecia que o relógio se adiantara alguns anos. Atenta, observo cada pormenor teu, como sempre e penso onde estaria eu naquele momento.
Baloiçando numa rede ao som de umas ondas que se espraiavam a alguns metros dali, esperava por ti, no teu refúgio, rodeada de papeis que contavam histórias, todas elas escritas com as lágrimas daquela velha caneta de tinta permanente que te era querida, ainda se notavam as iniciais do antigo dono no interior da tampa. Era com ela que escrevias as mais belas histórias, que secretamente me contavas naqueles serões ao alpendre.
Uma velha prancha de surf servia agora de prateleira a alguns livros que falavam de leis enquanto que uma toalha de praia servia de tapete, sempre enrodilhada pelos teus pés. Supradjacente ao sofá uma almofada amarelada servia de apoio para as tuas cestas depois de longas surfadas, como reclamava eu com aquela fronha assim, mas tu, com toda a tua calma e sorriso, lá me davas a volta.
Olhando para o lado, o cenário era perfeito, a lua iluminava o mar, uma pequena embarcação vai de encontro à linha do horizonte, avistando-se mais uma noite de trabalho. Não havia gaivotas, normalmente era de manhã que elas passeavam...quase sempre nos acordavam.
O som do "espanta espíritos" anuncia a tua chegada, aquela melodia era só tua, aquele som que insistes em fazer é único e reconhecido no meu mais profundo sono. Acordo do embalo daquela rede, vou ao teu encontro, na ansiedade de te ver tropeço naquela toalha de praia enrolada pelos teus pés, não caí!

1 comment:

Anonymous said...

Essa é dirigida...

É dirigida ao surfer boy.